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A história pós-Colombo assenta numa ideia de globalização e progresso unilateral, racista, antropocêntrica, capitalista, patriarcal e heterossexista. O pós 2a guerra criou uma ilusão de fraternidade e igualdade, sem que a ordem do poder fosse disputada. 

A ordem que até aqui reconhecemos parte do norte global, coloca-o e à sua linhagem no centro, esmaga e apaga a diversidade, distorce a sua presença histórica, confabula a normalidade e prescreve soluções competitivas de felicidade e de sucesso individual.

Este modelo colonial de sociedade e produtividade está em crise. A pandemia confronta-nos com a falência do trabalho, dinheiro e património como metas estruturadoras dos grandes propósitos de vida.

Enquanto sociedade preparamo-nos para um novo capítulo? É possível pensar um futuro inclusivo, justo e sustentável sem saber quem somos no espelho da história? Sem recuperar histórias e conhecimentos de outros centros e protagonistas? Haverá futuro fazível sem plurividência?

Nesta MICAR, procuraremos as vozes e corpos cujas memórias e visão têm sido mantidas nas margens. Exploraremos o lugar de mulheres, de jovens e da arte na transformação social. Para com todas as pessoas e através delas resgatar o direito à memória passada, descolonizar a ordem do mundo e reivindicar o direito ao futuro.

O Dicionário é um projeto da autoria do SOS Racismo que retrata as vidas e histórias de mais de três mil protagonistas da história vistos como “invisíveis” que estiveram na linha da frente das lutas sociais. Com a contribuição de 170 pessoas e ilustrações do artista André Carrilho.

Portes incluidos para Portugal.

Neste ano de 2020 a pandemia mostrou-nos claramente a distribuição desigual do risco e da proteção, os modos como as vulnerabilidades se traduzem rapidamente em desigualdades, em risco acrescido de sofrer quer pela doença quer pela crise. A clara violência que esta desigualdade implica fez-se ainda mais presente este ano, de múltiplas formas, e por isso escolhemos refletir sobre o racismo estrutural e sobre as múltiplas discriminações que continuam a marcar quotidianamente a vida de muitas pessoas negras, ciganas, imigrantes ou refugiadas. Na MICAR, haverá lugar para se debater a questão das fronteiras, da violência policial, da exclusão social e educacional. No entanto, é claro para nós que este é um debate que queremos participado, alimentado e continuado. Também para isso nasce esta publicação.