Nota de repúdio

As posições do ativista antirracista Mamadou Ba, assentes no pleno exercício de uma democracia plural, têm sido alvo frequente de ataques que excedem o contraditório legítimo, para se instalarem no insulto, no ataque difamatório quando não da ameaça pessoal.

Recentemente, esta escalada de ódio e de intolerância conheceu um novo grau, na sequência das declarações de Mamadou Ba quanto à visibilidade e honras de Estado concedidas a Marcelino da Mata.

Na sequência de uma opinião que nem sequer está isolada (várias pessoas e instituições condenaram os louvores a Marcelino da Mata), Mamadou Ba esteve no centro de várias petições solicitando a sua expulsão do país, uma delas com cerca de 15 mil assinaturas.

Mesmo que a validade legal das referidas petições seja nula, a sua repercussão no espaço público e a sua projeção nas redes sociais e media merece-nos a maior preocupação. Elas revelam:

– A permeabilidade do espaço público não apenas à calúnia e ao impropério mas, principalmente, à mensagem que vê a deportação como punição adequada para uma espécie de delito de opinião;

– O magnetismo exercido em certas instituições e partidos, dos mais recentes a alguns que se reclamam cofundadores da Democracia portuguesa, pelo ímpeto racista, pelo discurso do ódio, pela fúria nacionalista;

– O modo como este tipo de petições colhe rápida e expressiva aceitação, entre as mesmas pessoas que se revoltam ante a acusação de racismo.

Pelo exposto, o SOS Racismo repudia o conteúdo das referidas petições, apelando a que outras pessoas e instituições se solidarizem, no zelo necessário para com uma sociedade democrática, plural e crítica.