30 ANOS DEPOIS, A LUTA POR UMA SOCIEDADE JUSTA E DEMOCRÁTICA CONTINUA ATUAL

Há 30 anos, no dia 10 de dezembro de 1990, nasceu o SOS Racismo num período mediado entre o assassinato de José Carvalho em 1989 e o de Alcindo Monteiro, em 1995. Nascemos num período marcado pelo ressurgimento da extrema-direita e o seu corolário de violência. Passados 30 anos, vivemos momentos marcados pela legitimação política da extrema-direita em Portugal com a eleição, pela primeira vez em democracia, de um deputado na Assembleia da República.

Se, por um lado, o debate sobre o racismo ganhou dimensão e visibilidade públicas e políticas nunca antes vistas, por outro, a banalização e naturalização da violência verbal e física racista, também ganharam maior protagonismo na disputa política. Esta circunstância representa uma ameaça à paz social e política e um desafio coletivo para construir uma solidez democrática da nossa sociedade.

O racismo estrutura as desigualdades económicas e sociais que fustigam as pessoas racializadas no nosso país, através da precariedade laboral, da segregação habitacional, da marginalização escolar, da violência policial e da estigmatização social.

Sem compromisso coletivo e engajamento institucional transversal do país e das suas instituições, com a implementação de políticas públicas direcionadas para o combate às desigualdades com fator racial, a luta contra o flagelo do racismo continuará sem grandes efeitos, e assim, ficará efetivamente em causa um projeto de sociedade democrática.

O compromisso do SOS Racismo nos últimos 30 anos foi, através das nossas reflexões e mobilizações, contribuir para a construção deste projeto democrático.

Celebramos 30 anos de existência, num contexto particular de pandemia, que veio revelar ainda mais o carácter estrutural do racismo na nossa sociedade. De todas as pessoas vulneráveis à devastação económica e social desta pandemia, as pessoas racializadas são as mais expostas às suas consequências. E como as nossas lutas e as aspirações que as sustentam não podem estar em quarentena, continuamos mobilizados/as para que a agenda antirracista tenha tradução substancial e concreta no desenho de políticas públicas e de reforço da consciência coletiva da urgência do combate contra a desigualdade racial.

Por ocasião destes 30 anos, pesem emboras as limitações atuais, teremos várias atividades em torno de diversas questões e temáticas de combate contra o racismo.

Dia 10 de Dezembro – Visionamento do filme “A Respeito da Violência” de de Göran Olsson, seguido de debate com a presença de Mariana Carneiro coordenadora do dossier “Feridas abertas da Guerra Colonial”, às 18h00. Este evento irá ter lugar em Viseu, em parceria com o espaço Carmo 81, para um público limitado e integra a iniciativa MICAR – Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista – fora de Portas.

Dia 10 de Dezembro – Lançamento de um podcast regular do SOS RACISMO intitulado “Viemos para ficar” (disponível em todas as plataformas habituais – hora a confirmar). A primeira edição ficou a cargo de Joseph Da Silva, Piménio Ferreira, Pedro Coquenão e Mamadou Ba e o entrevistado é o José Falcão. A imagem criada para o podcast é do ilustrador Filipe Cravo.

De dia 14 a 17 de Dezembro – Webinar anti-racista com 4 mesas de discussão em direto e ao vivo para Facebook e Youtube. O programa completo pode ser encontrado aqui: https://www.sosracismo.pt/geral/webinar-30-anos-do-sos-racismo

Será ainda lançado, até ao final do mês, um documentário denominado “30 anos, olhares sobre o racismo” relativo aos 30 anos do SOS RACISMO e da luta anti-racista neste período, fruto do trabalho colaborativo de Bruno Cabral, Eddie Pipocas e Dércio Ferreira.

Ontem como hoje, continuamos como desde da primeira hora, empenhados na luta por uma sociedade justa e democrática, onde a desigualdade e o racismo não tenham lugar.

9 de dezembro, 2020