Posição do Movimento SOS RACISMO face ao desfecho do julgamento de Mamadou Ba

Perante a decisão do tribunal em acompanhar a vontade de um confesso neonazi, o Movimento SOS Racismo reitera a sua solidariedade com Mamadou Ba. e denuncia a perseguição política de que tem sido alvo e, através dele, o próprio antirracismo.

O SOS Racismo recusa os intentosmanifestos ou ocultos, de equiparar o antirracismo ao racismo, o que não passa de um estratagema de banalizar e normalizar o racismo.
Tem sido patente na sociedade uma vontade de adoptar posturas contra o antirracismo que pretendem silenciar as vozes que lutam pela democracia. Infelizmente essa postura tem adquirido contornos estruturais, que se torna particularmente grave quando é reproduzida pelas instituições ligadas à justiça.

Somos por isso pela defesa de uma justiça impermeável a este tipo de cumplicidade e que se comprometa antes em combater o Racismo Estrutural que afeta as instituições que regem a vida das pessoas e com quem elas têm de lidar diariamente para fazer valer os seus direitos.

Lamentamos ainda a manipulação pelos meios de comunicação, no tratamento deste e de outros casos, com efeitos de lavagem da imagem do Racismo e da Extrema Direita, e dos seus atores mais reconhecidos.

É importante não esquecer que Mário Machado foi dos poucos envolvidos na violência do dia 10 de junho de ’95 que nunca demonstrou qualquer arrependimento e que continua militantemente envolvido em movimentos de ideologia de extrema-direita.

Perante o desfecho da leitura da sentença hoje proferida, que acreditamos contrariar todas as instâncias onde foram julgadas todas as pessoas envolvidas na “caça ao preto” do dia 10 de Junho de 1995, vimos exprimir o nosso apoio incondicional a qualquer decisão que o Mamadou Ba venha a tomar.

Continuamos mobilizados para, em conjunto com todos e todas que lutam pela democracia, construir uma sociedade justa e igualitária.

20 de outubro de 2023

Declarações discriminatórias por autarca de Elvas dão “razão” a estudo que comprova o impacto do discurso político na exclusão da Comunidade Cigana em Portugal.

O Movimento SOS RACISMO manifesta o seu profundo desagrado perante as declarações proferidas dia 6 de Outubro, durante a apresentação do ponto de situação da Estratégia Local de Habitação de Elvas, pelo autarca da cidade, Rondão de Almeida, na presença da Sra. Ministra da Habitação, Marina Gonçalves. 

Na sua alocução (que pode ser vista aqui: https://fb.watch/nJmFb6lM1y/), supõe que será criticado pela oposição sobre a inclusão da comunidade cigana nos novos fogos a serem construídos para rendas acessíveis. A esta “acusação”, o Sr. Rondão de Almeida responde de forma preconceituosa, afirmando peremptoriamente que nenhum membro da comunidade cigana em Elvas possui contrato de trabalho, reforçando assim estereótipos prejudiciais e falsos.

É notável que, mesmo antes da construção dos referidos fogos, aproximadamente mil elvenses de etnia cigana já se encontram excluídos. O Sr. Presidente da Câmara Municipal presume, erroneamente, que nenhum membro da comunidade cigana em Elvas possui os requisitos necessários para se candidatar, uma afirmação que é refutada pela Associação Cigana local, Sílaba Dinâmica. Esta organização afirma que há diversos elvenses ciganos com contrato de trabalho, preenchendo todos os requisitos para a candidatura aos referidos fogos.

O Sr. Rondão de Almeida demonstrou hoje, sem margem para dúvidas, a sua convicção de que não há nenhum membro da comunidade cigana com contrato de trabalho em Elvas. No entanto, é de notar que nas eleições locais, foram, sem dúvida, os votos dos elvenses ciganos que contribuíram para a sua eleição, por uma margem mínima.

Curioso que este discurso proferido hoje coincida também com a notícia (https://expresso.pt/sociedade/igualdade/2023-10-16-Eles-nao-trabalham-e-vivem-de-subsidios-e-o-tipo-de-frase-que-aumenta-as-atitudes-discriminatorias-em-12-25a136b9?utm_campaign=later-linkinbio-jornalexpresso&utm_content=later-38549017&utm_medium=social&utm_source=linkin.bio) da publicação de um estudo, realizado por Pedro Magalhães e pelo psicólogo social Rui Costa Lopes, no European Journal of Political Research que demonstra como o discurso político tem impacto na discriminação sofrida pela comunidade cigana.

Lamentamos igualmente que a Sra. Ministra da Habitação tenha permitido tais declarações, que envergonham a Constituição da República. Estas declarações apenas legitimam a ciganofobia neste país.

O Movimento SOS RACISMO vem exortar as autoridades locais e nacionais a tomarem medidas concretas para garantir a inclusão e dignidade de todas as comunidades, nomeadamente no acesso ao direito fundamental à Habitação.

16 de Outubro de 2023

Pitch me! – a convocatória para argumentistas emergentes lançada pela Academia Portuguesa de Cinema com a Netflix

CANDIDATURAS ABERTAS DE 31 DE JULHO a 07 DE SETEMBRO DE 2023

A Academia Portuguesa de Cinema e a Netflix anunciam a abertura da convocatória PITCH ME!, destinada a descobrir o trabalho de argumentistas emergentes, através de um programa de desenvolvimento de escrita no formato de residências, e que visa oferecer aos autores dos projetos selecionados uma oportunidade de colaborar e desenvolver as suas ideias, orientados por uma equipa de profissionais – argumentistas, mentores, script doctors, etc.

Depois da sua primeira edição, em 2019, no âmbito do “A Quatro Mãos” a iniciativa “Pitch Me!” regressa, desta vez focada na diversidade e inclusão de autores e narrativas de segmentos da população em risco de exclusão social, sub-representados no cinema e no audiovisual, tais como: pessoas com diversidade étnica, cultural, sexual, de género, diversidade funcional ou deficiência, pessoas de contexto socioeconómico desfavorecido.

A iniciativa pretende selecionar autores emergentes que poderão desenvolver projetos através de um programa de duas residências, uma no início do programa e outra no final. Entre as duas residências, e ao longo de 4 meses, haverá um conjunto de sessões de mentoria com profissionais do setor (nomeadamente, argumentistas).

O programa culminará num evento presencial com um pitch dos projetos desenvolvidos perante um grupo de profissionais representativos da indústria cinematográfica e audiovisual portuguesa.

O júri responsável pela avaliação de projetos é composto pelo poeta e dramaturgo André Tecedeiro, o realizador Ary Zara, a atriz, produtora e argumentista Ciomara Morais, a argumentista e editora Marta Lança e a jornalista e escritora Paula Cardoso.

Saiba mais e consulte o regulamento em: www.academiadecinema.pt/pitch-me-2023/

SOS RACISMO Condena Atos de Violência e Abuso Policial em Incidente em Cedofeita

O Movimento SOS RACISMO expressa veemente indignação diante dos recentes incidentes ocorridos em Cedofeita, Porto, que resultaram em atos de violência e abuso policial.

No dia 15 de agosto, o SOS RACISMO tomou conhecimento de um incidente através de uma publicação nas redes sociais de Orquídea Oliveira, que descreve um episódio perturbador envolvendo um cidadão racializado e sem abrigo num supermercado local (parte da cadeia Pingo Doce). O incidente, que deveria ter sido resolvido de forma pacífica e digna, acabou em violência física, com segurança da loja e funcionários imobilizando o indivíduo em questão.

De acordo com relatos de testemunhas, após a intervenção dos funcionários da loja, um contingente da Polícia foi chamado ao local, culminando em mais violência, incluindo agressões físicas a pessoas envolvidas na tentativa de impedir ações excessivas por parte do segurança. Entre as testemunhas, destaca-se Inês Rodrigues que fora agredida após intervir em defesa da irmã (detida por se insurgir contra o modo como a situação estava a ser tratada) e da vítima inicial. Esta circunstância é um exemplo alarmante do abuso de poder e violência policial que ainda persistem em nossa sociedade.

Além disso, no dia 16 de agosto, Inês Rodrigues reportou ter apresentado uma queixa contra a agressão policial na esquadra, onde relata ter sido alvo de chacota por parte dos agentes presentes. A falta de respeito e sensibilidade demonstrada pelas autoridades apenas reforça a urgência de medidas de reforma e de formação no seio policial.

O SOS RACISMO condena categoricamente qualquer forma de violência, discriminação racial e abuso de poder, seja por parte de seguranças privados ou agentes policiais. É inadmissível que indivíduos sejam submetidos a tratamentos humilhantes e desumanos, simplesmente pela sua aparência ou origem étnica.

Reforçamos nossa solidariedade com as vítimas destes atos e expressamos nosso apoio incondicional àqueles que ousam lutar contra o racismo e a injustiça. Exigimos uma investigação transparente e imparcial deste incidente, bem como uma reavaliação profunda das práticas de segurança e das abordagens policiais para garantir que esses incidentes não se repetem.

O SOS RACISMO continuará a trabalhar incansavelmente para defender os Direitos Humanos, combater a discriminação racial e contribuir para uma sociedade mais justa e inclusiva e quer desta forma solidarizar-se com todos aqueles que deram a cara neste caso.

18 de agosto de 2023

25 de Julho: Homenagem a Bruno Candé e denúncia do Ódio Racial

Comunicado de Imprensa

Hoje, dia 25 de Julho, lançamos um filme curto em homenagem a Bruno Candé, ator português, que há três anos foi tragicamente assassinado por um ato de ódio racial. O vídeo intitulado “Bruno Candé” é uma iniciativa do SOS RACISMO e visa lembrar a trajetória e o legado de Bruno, enquanto denuncia a persistência do racismo na nossa sociedade.

VER AQUI: https://www.youtube.com/watch?v=PSHjwraxb0E

Bruno Candé foi vítima de um crime de ódio racial, assassinado com cinco tiros por um racista. A tragédia revelou uma dura realidade do racismo enraizado na sociedade portuguesa e a sua consequência mais fatal. O vídeo apresenta a vida de Bruno Candé pelas palavras da sua irmã e destaca como, após sua morte, a sua dignidade foi ferida por discursos de ódio e negação da existência do racismo em Portugal.

Com a produção da VMLY&R e SHOW OFF e a realização de Patrícia Couveiro, o vídeo “Bruno Candé” é uma poderosa mensagem que visa despertar consciências sobre a importância de combater o ódio racial e os seus discursos.

Convidamos a imprensa e o público em geral a assistir e partilhar este trabalho audiovisual, contribuindo para ampliar o alcance desta mensagem. É hora de somarmos esforços na luta contra o racismo e garantir que nenhuma outra pessoa volta a ser vítima da violência e discriminação.

O vídeo está disponível para visualização aberta a partir de hoje nas redes sociais do SOS RACISMO (Youtube, Facebook e Instagram).

25 de Julho de 2023 SOS RACISMO

Texto de apresentação do filme:

Dia 25 de Julho assinala-se o 3o aniversário da morte de Bruno Candé.
Bruno Candé foi assassinado com 5 tiros por um racista, como ficou provado na sentença. Foi vítima de um crime de ódio racial.

“Preto, volta para a tua terra”
“Vou buscar as armas com que vos matava na sanzala”

O racista ameaçou durante vários dias e depois matou. Mas, Bruno Candé, foi morto duas vezes. Porque, nas horas e dias seguintes, matavam a sua dignidade.

As reportagens no local, as palavras que descreveram o acontecimento, a manifestação de um partido racista e fascista feita nos dias seguintes com o mote “Portugal não é racista”

Há sempre uma culpa para a pessoa negra ou racializada. Há sempre uma desculpa para o branco. Uma explicação, uma lógica, uma mentira.

Portugal é um país estruturalmente racista. Não admite sê-lo, e assim, não havendo o que parar, não há como travar o racismo.

Bruno era um ator português da companhia de teatro Casa Conveniente.
Participou em Macbeth ao lado de José́ Raposo, atuou no Da Maria, participou em novelas, fez dança, estava a realizar o sonho que era o seu desde sempre: ser ator.

Tinha 39 anos e 3 filhos menores.
Não era um “jovem negro”, era o Bruno Candé.
Não foi morto num triste acaso, foi um crime de ódio racista.

Em seu nome, e de outros como Alcindo Monteiro, é preciso parar o discurso de ódio. Educar, mas também denunciar, condenar e interpelá-lo na rua, se for preciso.

A mão ferida do Bruno Candé, a mão que tentou parar a primeira bala, podemos e devemos ser todos nós.

Este filme é uma ideia da VMLY&R com produção da SHOW OFF/MOLA e realização da Patrícia Couveiro.

SOS RACISMO / VMLY&R / SHOW OFF

SOS RACISMO expressa indignação frente aos ataques racistas e xenófobos contra Mamadou Ba

O Movimento SOS RACISMO manifesta sua profunda indignação diante dos insultos racistas e xenófobos direcionados a Mamadou Ba, dirigente desta organização, após a sua participação numa atividade promovida pelo Centro de Estudos Sociais (CES) de Coimbra.

No dia 28 de junho, Mamadou Ba, dirigente anti-racista e estudante de doutoramento da Universidade da British Columbia, foi alvo de insultos degradantes nas imediações das instalações do CES, logo após sua participação na Escola de Verão intitulada “Endangered Theories: Standing by Critical Race Theory in the Age of Ultra-Violence”. Esta escola, organizada pelo CES, contou com a presença de professores, investigadores, ativistas, programadores culturais, artistas e estudantes tanto de instituições nacionais como internacionais.

O SOS RACISMO repudia veementemente esses atos de violência e discriminação, os quais não só atentam contra a dignidade de Mamadou Ba, mas também representam uma afronta a todos aqueles que lutam diariamente contra o racismo e a xenofobia.

É fundamental que a sociedade esteja unida no combate a todas as formas de discriminação, assegurando que espaços académicos e de debate sejam seguros para todos e todas.

O SOS RACISMO reafirma seu apoio incondicional a Mamadou Ba e a todos aqueles que enfrentam o racismo nas suas vidas quotidianas. 

A luta contra o racismo e a xenofobia é uma responsabilidade coletiva e exige a mobilização de todos os setores da sociedade. O SOS RACISMO continuará firme em sua missão de promover a igualdade e combater todas as formas de discriminação racial.

SOS RACISMO

30 de junho de 2023

A igualdade vence o ódio

A 14ª edição da Festa da Diversidade ocorre às vésperas do 50º aniversário do 25 de abril, momento em que o fascismo encontrou respaldo institucional com a presença da extrema-direita a transformar o parlamento num megafone do racismo. Por isso, a festa deve ser, mais do que nunca, um reforço na construção de uma sociedade antirracista.

Sendo um momento de festa e luta, a Festa da Diversidade quer ocupar o espaço público como uma forma de apagar as fronteiras simbólicas e físicas da estigmatização, guetização, exclusão e invisibilização das pessoas racializadas e marginalizadas na sociedade. Pretende-se devolver o direito de estar na cidade e/ou ser da cidade, sem qualquer risco de rejeição, violência física ou simbólica, nem brutalidade policial ou administrativa, permitindo que todas as pessoas desfrutem efetivamente da liberdade de viver e usufruir do espaço público.

A Festa da Diversidade é um momento de luta por uma democracia radical e plena, em que a luta contra as desigualdades abrange todas as formas de discriminação. Trata-se de um antirracismo interseccional, mobilizado na luta contra a LGBTQIfobia, o machismo, o racismo e as alterações climáticas.

Ao trazer para o espaço público os saberes, sabores e sons de várias partes do mundo que compõem a sociedade, a Festa da Diversidade visa expressar a diversidade étnica e cultural, assim como ‘desocultar’ as opressões e discriminações raciais, machistas e sexistas, bem como a exploração laboral e a ameaça ambiental enfrentadas pela sociedade em geral e pelas pessoas racializadas em particular.

A Festa da Diversidade é um espaço de cruzamento de lutas contra todas as formas de opressão e desigualdade. Pretende-se combater a invisibilidade imposta às pessoas oprimidas e trazer os seus contributos para uma Humanidade que valorize todas os arquivos do mundo. O compromisso da Festa é defender a Humanidade em toda a sua diversidade, a partir de uma perspetiva interseccional, dando visibilidade aos diferentes contributos culturais da nossa sociedade, porque em democracia, a diferença não pode nunca ser motivo de desigualdade.

Perante a ameaça fascista e racista, bem como a crise ambiental resultante do modelo de produção capitalista, que aumenta a vulnerabilidade social e económica das pessoas mais expostas a todas as formas de discriminação, a Festa torna-se um espaço de reflexão, resistência e formulação de alternativas políticas para promover a justiça racial, social e climática.

Perante o presente contexto histórico e político, esta 14ª edição inscreve-se numa orientação estratégica de luta contra o racismo que contribua para cumprir abril, descarbonizando, descolonizando, desracializando e democratizando. 

Porque a igualdade vence o ódio, combatemos o fascismo e o racismo, defendendo a humanidade em toda a sua diversidade.