Convite para sessão de exibição do filme “Alcindo” de Miguel Dores | Faro | 23 Abril

No próximo dia 23 de abril, pelas 17h00, no Auditório do Instituto Português do Desporto e Juventude, Rua da Policia da Segurança Pública, n.º 1, em Faro, terá lugar a exibição do filme “Alcindo” (2021, 77’) de Miguel Dores, com entrada gratuita. À exibição seguir-se-á um debate aberto ao público com a presença do realizador e ativistas do SOS Racismo.

“Alcindo” é um filme-documentário sobre os graves acontecimentos ocorridos na noite de 10 de junho de 1995, quando um numeroso grupo de etno-nacionalistas portugueses correu pelas ruas do Bairro Alto com a determinação de espancar pessoas racializadas. Resultaram mais de uma dezena de vítimas, uma delas mortal, Alcindo Monteiro.

“Alcindo” venceu recentemente o grande prémio do festival Caminhos em Coimbra e o prémio do público do festival DocLisboa.

Este evento decorre no âmbito da MICAR Fora de Portas, extensão da Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista, é organizado pelo Movimento SOS Racismo em colaboração com o Cineclube de Faro, o Centro de Investigação em Artes e Comunicação do Departamento de Artes e Humanidades da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve.

Juntas/os do Luto à Luta: Justiça por Daniel, Danijoy e Miguel

Daniel Rodrigues e Danijoy Pontes morreram – com minutos de diferença – no dia 15 de setembro de 2021, na mesma ala do Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL). Poucos meses depois, a 10 de janeiro, Miguel Cesteiro morreu no Estabelecimento Prisional de Alcoentre. Ao contrário do que diz a própria lei, nestes três casos a Polícia Judiciária (PJ) não foi chamada ao local, com a agravante de todos os casos apresentarem circunstâncias suspeitas. Se é verdade que não nos convencem as autópsias, também não nos servem somente inquéritos internos. Além do mais, note-se como o Ministério Público se apressou a arquivar os inquéritos pelas mortes de Daniel e Danijoy, reabertos posteriormente na sequência da pressão dos movimentos sociais. O de Miguel Cesteiro encontra-se também a decorrer. A impossibilidade de aceder às autópsias, como acontece no caso de Daniel, em que a família aguarda há mais de 5 meses; a demora no acesso das famílias ao corpos, tanto no caso de Daniel como de Danijoy; e, em geral, a desproporcionalidade das taxas de encarceramento, da duração das penas face ao tipo de crime; o inacesso generalizado às condicionais; o uso da solitária (manco) e a supressão de acesso ao pátio como punições acrescidas; a exploração laboral – em que uma jornada de trabalho de um recluso vale pouco mais de 2 euros por dia; e o racismo e sexismo das prisões, são exemplos paradigmáticos das condições objetivas do sistema prisional português.
A insensibilidade por parte das autoridades na comunicação dos óbitos às famílias, insensibilidade essa que vem na sequência de um histórico de desumanização das pessoas em situação de reclusão, mas também das famílias aquando das visitas, é regra e não exceção. A administração de fármacos perigosos para a vida das pessoas – como ansiolíticos e metadona – e sem qualquer diagnóstico são centrais nos três casos, e demostra uma cumplicidade tácita entre as prisões e os profissionais de saúde. Nas prisões portuguesas, o pleno direito à saúde e à saúde mental não estão garantidos.

Reduzidos e reduzidas à categoria de “presos e presas” estas pessoas são pessoas, são mães, são pais, são filhas e filhos, são família.

Estes três casos são exemplo da violência das prisões portuguesas, evidente nas mais de 300 mortes nos últimos 5 anos. Se isto é “reinserção” o que será a “punição”? As mortes de Daniel, Danijoy e Miguel são exemplo de como as cadeias servem para punir pessoas ciganas, negras e brancas pobres, fazendo da classe e da raça essenciais à sua existência. Por isso, famílias negras, ciganas e brancas juntam-se em protesto.

No dia 12 de Março estaremos, às 14h, em frente ao EPL, numa manifestação em solidariedade com os familiares de Daniel, Danijoy, Miguel e de todas as vítimas do sistema prisional.

Do luto à luta!

Apresentação Dicionário da Invisibilidade

19 de Junho, Forúm Lisboa, 14h30

É já neste próximo sábado, dia 19 de Junho, que o SOS Racismo vai lançar o Dicionário da Invisibilidade e presencialmente, apresentar o Documentário dos 30 Anos (Bruno Cabral, Edie Pipocas e Dércio Ferreira), no Fórum Lisboa.

Estas atividades integradas no programa da Festa da Diversidade de 2020 que, devido à situação pandémica em Portugal, não se realizou e que finalmente é possível concretizar graças à colaboração do pelouro dos Direitos Sociais da Câmara Municipal de Lisboa e do Fórum Lisboa. 

Foram cerca de 170 pessoas de Portugal e de vários continentes participaram na construção deste Dicionário da Invisibilidade que será apresentado às 14h30 no Fórum Lisboa pelos coordenadores da publicação, a que se seguirá uma conversa com Ana Barradas, Bruno Gonçalves, Cleo Tavares, Isabel Zuaa, Nádia Iraceme.

Salientamos que estará presente uma pequena delegação de colaboradoras e colaboradores do Estado espanhol e América Latina.

Este Dicionário conta com a a brilhante participação de André Carrilho (Capa e 20 Ilustrações que, durante mês e meio, estiveram em exposição na Casa da Cultura de Setúbal). Agradecemos ainda a direção de Arte&Design de Teófilo Duarte e João Silva (DDLX)

CHAMADA: Ativismos Visuais | Exposição colaborativa para uma intervenção Anti-Racista

Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista 2021

A MICAR convida a comunidade a desenvolver trabalhos originais, sob a forma de cartaz, através das mais variadas técnicas e formas de expressão (design, ilustração, BD, etc.), em volta da intervenção Anti-Racista, até 30 de julho de 2021.

Os trabalhos serão expostos, em arquivo digital online, durante a 8ª Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista, e durante as semanas subsequentes.

Os trabalhos poderão ainda ser reproduzidos no Caderno Micar, publicação que acompanha a Mostra, sendo que, tanto na seleção como na escala serão condicionados pela matriz de impressão.

Será ainda selecionado um número de cartazes para exposição, em suporte impresso, no foyer do Pequeno Auditório do Rivoli, durante os dias da Mostra, que, pelas suas características físicas, deverá totalizar até 10 trabalhos.

Descarregue aqui a chamada para contributos.

As propostas deverão ser enviadas para ativismosvisuais@gmail.com.

Ascensão da extrema-direita: Qual o papel dos media tradicionais, redes sociais e fake news na construção do discurso populista?

Estaremos à porta de uma nova era? Olhamos o outro com maior desconfiança? Sentimos como crescente o descrédito daqueles que (não) nos representam? É este provavelmente o terreno onde se desenvolvem muitas das ideias e propostas a que assistimos com declarada inspiração autoritária, intolerante e demagógica, algumas identificadas com projectos de extrema direita. E que mecanismos favorecem a sua disseminação? Qual o papel dos media tradicionais, redes sociais e fake news? 

O SOS Racismo propõe-se contribuir para o debate desta realidade, tornando-nos a tod@s mais capazes de identificarmos, resistirmos e desenvolvermos alternativas às propostas de medo, intolerância e violência destes projectos. Convidamos tod@s a participarem no debate “Ascensão da extrema-direita: qual o papel dos media tradicionais, redes sociais e fake news na construção do discurso populista?” a realizar no próximo dia 30 de Março, às 17h no espaço OKNA no Porto. Contaremos com as reflexões e discussão de Riccardo Marchi, investigador na área dos fenómenos de extrema direita, bem como, Paulo Pena e Ricardo Esteves Ribeiro, jornalistas com experiências distintas na área da comunicação social.

Mobilização Nacional de Luta contra o Racismo

15 de Setembro – 15h00
Braga, Lisboa e Porto


Os vários casos de racismo que têm sido discutidos na praça pública são só a ponta do icebergue daquilo que as nossas comunidades sofrem no seu dia-a-dia, sem que se faça justiça. Precisamos de sair à rua, juntos/as, para combater o racismo, manifestarmos o nosso repúdio e a nossa solidariedade para com as vítimas de discriminação racial. Por isso, chamamos todos/as à Mobilização Nacional de Luta Contra o Racismo, no dia 15 de Setembro, sábado, às 15 horas em Braga (Av. Central/Chafariz), Lisboa (Rossio) e Porto (Praça da República).
As agressões policiais a negros/as, ciganos/as e imigrantes acontecem nos bairros, nas ruas, nos transportes públicos e nas esquadras. Perante elas, o Estado português pouco ou nada faz. Moradores da Cova da Moura foram agredidos debaixo de insultos racistas pela PSP de Alfragide. A polícia encobriu os factos, acusando os moradores de tentativa de invasão de esquadra. No Porto, Nicol Quinayas foi agredida por um segurança da empresa 2045 enquanto era alvo de insultos racistas, quando tentava apanhar um autocarro da STCP. A PSP, chamada ao local, só agiu 3 dias depois perante a indignação pública. Em Beja, Igor, jovem cigano, foi baleado na face por um agente da PSP de Beja, quando se deslocou a uma quinta para pedir trabalho na apanha da azeitona. Todos sabem da infiltração da extrema-direita nas forças de segurança. Não nos esquecemos do Élson Sanches “Kuku”, do MC Snake, do Musso e de todos aqueles que morreram ou foram agredidos pelas autoridades policiais, sem que tenha sido feita justiça.
O racismo na política é gritante, seja pela ausência de representatividade política de negros/as, ciganos/as e imigrantes, seja por atos racistas de vários representantes políticos. São grandes as desigualdades no acesso à educação, saúde, habitação, justiça, cultura e ao emprego com direitos para negros/as, ciganos/as e imigrantes. Mas o silêncio dos sucessivos governos e das organizações políticas, na sua maioria, sobre o racismo e xenofobia é aterrador.
Apesar de tudo isto, ouvimos constantemente a frase “Portugal não é um país racista”. Sabemos bem que isto não é verdade, Portugal é um país racista, sim! E a violência é ainda maior quando ao racismo se adicionam outras discriminações como a de género, classe social, orientação sexual e identidade de género. Por tudo isso, juntem-se à Mobilização Nacional de Luta Contra o Racismo.
Só a nossa luta garante que se faça justiça!
Só a nossa luta garante o fim do racismo!

Mobilização Nacional de Luta Contra o Racismo
Dia 15 de Setembro, sábado, às 15h
Lisboa (Rossio) | Porto (Praça da República) | Braga (Av. Central/Chafariz)

 

Coletivos promotores:
Afrolis – Associação Cultural; GTO Lx – Grupo de Teatro do Oprimido; MUXIMA; FEMAFRO – Ass. de Mulheres Negras, Africanas e Afrodescendentes; DJASS – Ass. de Afrodescendentes; Observatório do Controlo e Repressão; Casa do Brasil; CAIPE – Coletivo de Ação Imigrante e Periférica; Consciência Negra; Socialismo Revolucionário; SOS Racismo; Plataforma Gueto; Nêga Filmes; Ass. Cultural Moinho da Juventude; Associação Muticultural do Carregado; Khapaz – Associação Cultural de Jovens Afodescententes; Solidariedade Imigrante – Associação para a defesa dos direitos dos imigrantes (SOLIM); Associação Passa Sabi; Associação dos Filhos e Amigos de Farim (AFAFC); APEB – Ass. de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros de Coimbra; Organização dos Estudantes da Guiné-Bissau de Coimbra; Letras Nómadas – Ass. de Investigação e Dinamização das Comunidades Ciganas; Em Luta; Teatro Griot; INMUNE – Instituto da Mulher Negra em Portugal; Associação Nasce e Renasce; Associação Krizo; A Gazua; Coletivo Chá das Pretas; Festival Feminista do Porto; A Coletiva; Núcleo Antifascista de Braga; UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta (Braga); STCC – Sindicato dos Trabalhadores de Call Center; AIM – Alternative Internacional Movement; Banda Exkurraçados; Hevgeniks; Kalina – Associação dos Imigrantes de Leste; Comunidade Bangladesh do Porto; União Romani Portuguesa; AMEC – Associação de Mediadores Ciganos; CIAP – Centro Incentivar a Partilha; Associação Mais Brasil; Coordenadora Antifascista Portugal; Associação Saber Compreender; GAP – Grupo Acção Palestina; GERA – Grupo Erva Rebelde Anarquista; Existimos e Resistimos; Rede Ex aequo; Porto Inclusive; Disgraça; Nu Sta Djunto; Outros Ângulos; Assembleia Feminista de Coimbra; UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta (Coimbra); Txiribit; Projeto Aparte; Instituto das Comunidades Educativas (ICE); Ass. Desenvolvimento do Minho Rural (ADMIR); Coletivo Tuía de Artifícios; Associação Cultural e Recreativa Estrela da Lusofonia; Sindicato dos Estudantes; Associação Actividade Motora Adaptada; ILGA – Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo.