Muro MARROCOS – SARA OCIDENTAL

Autoria: DR


Eles chamam-se filhos das nuvens, porque desde sempre perseguem a chuva.

Desde há mais de trinta anos perseguem, também, a justiça, que no mundo do nosso tempo parece mais esquiva que a água no deserto’
Eduardo Galeano

Do longo processo de descolonização de África há um território que permanece desde há mais de 30 anos em luta pela sua auto-determinação, o Povo Saarauí, com o seu território, o Sara Ocidental.

Limitado a norte por Marrocos, a este pela a Argélia, a sul pela Mauritânia e a oeste pelo Oceano Atlântico, manteve-se sob o jugo da Espanha colonialista até à queda de Franco. Ainda sem a independência alcançada o rei marroquinho Hasan II deu ínicio à Marcha Verde – processo de repovoação do Saara com cidadãos marroquinos para que, no caso de se realizar um referendo à independência (nunca realizado!), a balança se inclinasse a favor do ocupante. A Frente Polisário, a guerrilha saarauí, que lutou contra a colonização espanhola, encabeçou a resistência armada contra Marrocos até 1991. Frente a frente ficaram, nas areias do deserto, os guerrilheiros da Frente Polisário e as forças marroquinas de Hassan II. O exército marroquino retirou-se para uma zona restrita do deserto, mais próxima da sua fronteira e constituiu o chamado “triângulo de segurança”, que compreende as duas únicas cidades costeiras e a zona dos fosfatos. A limitá-lo, ergueu um imenso muro há mais de 20 anos, com uma longitude de cerca de 2790km (cerca de 60x a extensão do muro de Berlim), com um radar previsto de 15 km e postos de vigilância a cada 5 km. Não fosse o bastante, minou-o ao longo sua extensão.

A muralha não serve só para separar o Sara Ocidental de Marrocos, mas essencialmente para separar o terço mais árido do território saaurí do resto, abundante em recursos pesqueiros, energéticos e minérios, como o fosfato. E de resto, a história parece repetir-se, como em tantos outros momentos e noutros pontos do globo, numa lógica de segregação, e neste caso, de securatismo e pela defesa dos interesses de dominação de uma nação ou comunidade mais rica, e indiscutivelmente mais poderosa, Marrocos.

A isto, grande parte do mundo assiste sereno, uns por claros interesses directos, como Espanha e França, outros numa inércia vergonhosa. Com a quase totalidade dos países africanos e da América latina a reconhecerem a legitimidade da autodeterminação do povo Saarauí, a Europa resiste a fazê-lo, num claro desrespeito das resoluções da Nações Unidas, e mais, do povo Saarauí.

A população, essa na sua maioria permanece em campos de refugiados, no sul da Argélia, “estão no mais deserto dos desertos. É um vastíssimo nada, rodeado de nada, onde só crescem as pedras. E no entanto, nessas aridezes, e nas zonas libertadas, que não são muito melhores, os sarauís foram capazes de criar a sociedade mais aberta, e a menos machista, de todo o mundo muçulmano”. (Eduardo Galeano)

Memórias de Muros

Autoria: DR

Em mês de aniversário da queda do muro de Berlim, o SOS relembra outros pilares de betão que a fértil estupidez humana insiste em erguer, dividindo culturas, credos, mundivisões – dividindo pessoas.

Não podemos deixar de assinalar a leviandade com que vários actores políticos, nas celebrações mediáticas da queda do muro, se referiram à necessidade de deixar cair outras barreiras, visíveis e invisíveis, que ainda persistem e pululam pelo globo, como se a responsabilidade por tais factos lhes fosse completamente alheia…

Infelizmente, o fim de regimes abertamente racistas (a América das Leis de Jim Crow e os regimes do III Reich e do Apartheid Sul-Africano) não afastou definitivamente o espectro do Racismo Institucional. Ele persiste, resiste e multiplica-se – mas a imponência do ditado da “água mole” faz-nos acreditar que a mudança é possível… se ainda formos a tempo.

Assim, iniciamos aqui no blog uma série de textos sobre vários exemplos de barreiras segregacionistas que ainda perduram em pleno Séc. XXI, esperando também pelo contributo dos nossos leitores para a discussão, denúncia e divulgação.

Untitled

Público

Aguiar Branco a favor de união civil entre homossexuais e contra referendo. O líder parlamentar do PSD disse hoje ser a favor de uma união civil registada para os casais de homossexuais, como alternativa ao casamento, e manifestou-se contra a realização de um referendo sobre esta matéria.
.
.
Adopção por casais homossexuais é opção política e não jurídica. Ainda sem ser conhecida a proposta de lei do Governo que reconhecerá o direito ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, os constitucionalistas consideram que qualquer decisão sobre a inclusão ou não neste diploma do direito à adopção é uma decisão política.
.
.
Crescimento da população em Portugal está muito dependente da imigração. O crescimento efectivo da população em Portugal “está muito dependente da imigração” e a pequena subida registada em 2008 face a 2007 relaciona-se com o abrandamento do número de estrangeiros residentes, defendeu hoje o demógrafo Mário Bandeira.

Untitled

TSF

Bispos denunciam campanhas ideológicas contra a família. Os bispos reunidos esta segunda-feira em Braga denunciaram o que consideram ser campanhas ideológicas contra a família, repudiando o casamento entre pessoas do mesmo sexo. D. Jorge Ortiga afirmou que com a entrada em funções de um novo Governo é de esperar uma nova fase de relacionamento com o poder civil.
.
.
Casamento homossexual. PS rejeita referendo, CDS admite que margem de manobra é curta. O PS rejeitou a possibilidade de um referendo sobre o casamento homossexual e diz que a questão «não é para atrasar». Já o CDS defende que a questão ainda não foi suficientemente debatida, embora admita que a margem de manobra para um referendo é muito curta.