Estudo Nacional sobre Comunidades Ciganas acessível para consulta

Este estudo foi desenvolvido entre Janeiro e Agosto de 2014 pelo Centro de Estudos para as Migrações e Relações Interculturais da Universidade Aberta em parceria com o Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa. Uma investigação que cruzou dados documentais, programas de política social, projetos de intervenção social e educativa e entrevistas presenciais de 1599 indivíduos de etnia cigana e alguns representantes institucionais.

Os dados recolhidos não são uma surpresa para quem conhece esta realidade de discriminação generalizada e enraizada na sociedade Portuguesa.

Este estudo pretende ainda ser o mote para o lançamento do Observatório das Comunidades Ciganas, dirigido por Carlos Jorge Sousa, que excluíu os representantes associativos das comunidades ciganas.
Serve também para a apresentação do Fundo de Apoio à Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas.

O link para acecer ao documento em PDF:

http://www.acidi.gov.pt/noticias/visualizar-noticia/54be867b629d5/estudo-nacional-sobre-as-comunidades-ciganas-ja-disponivel.

Formação – Curso de Português como Língua Estrangeira

A Biblioteca Municipal da Maia, em parceria com o Centro de Línguas Babelium da Universidade do Minho e a Socialis – associação de solidariedade social, IPSS, apresenta a 2.ª edição do Curso de Português Língua Estrangeira, a decorrer até maio de 2015, dirigido a cidadãos estrangeiros.

Através desta formação, pretende-se preparar os alunos para interagirem nas situações de comunicação oral e escrita do quotidiano e do trabalho, tendo por base os parâmetros do QECRL – quadro europeu comum de referência para as línguas (níveis de iniciação e intermédio a1/a2/b1/b2).

É de salientar que o nível a2 ou superior serve para efeitos de aquisição de nacionalidade.

O trabalho das aulas desenvolverá as competências de leitura, de escrita, de expressão e compreensão orais, gramaticais e socioculturais. No final de curso será emitido um certificado Babelium, mencionando a caracterização do nível e a classificação final dos alunos que assistiram a, pelo menos, 80% das aulas.

Os níveis indicados correspondem ao QECR e referem-se aos resultados de aprendizagem esperados no final do respetivo curso.
É possível a abertura de outros níveis/cursos para além dos propostos, desde que haja um número mínimo de alunos interessados nos mesmos.

Os dias/horas indicados poderão sofrer ajustes de acordo com as conveniências e possibilidades dos participantes.

Promotor: Biblioteca Municipal da Maia, Babelium da Universidade do Minho e Socialis – associação de solidariedade social, ipss

Datas: segundas e quartas das 19h às 21h (aula experimental – dia 13)

Duração: 2h/sessão, num total de 50 h

Público-alvo: cidadãos estrangeiros, com idade igual ou superior a 16 anos, para os quais o português seja língua estrangeira.

Preço: 75,00€

Formadora: Sofia Rente

Contactos: tel.+ 351 22 940 86 38, biblioteca@cm-maia.pt

Inscrições: biblioteca municipal da maia

Lotação: 20 inscrições

Informações: http://cultura.maiadigital.pt

curso PT_Maia 2015

Entrevista ao Jornal Universitário do Porto (JUP)

“A INCLUSÃO DEVIA ESTAR NO ADN DE TODOS OS JORNALISTAS”

MARGARIDA DAVID CARDOSO

O jornalismo inclusivo é aquele que ouve todas as personagens envolvidas, não descriminando sexo, idade, etnia ou condição social. O JUP colocou o tema em debate e ouvir as opiniões das jornalistas Ana Cristina Pereira e Vanessa Ribeiro Rodrigues, e de Nuno Silva, da SOS Racismo.

O jornalismo inclusivo é a prática da atividade informativa que não exclui qualquer fonte, acontecimento ou perspetiva. É o jornalismo que ouve todas as personagens envolvidas, não descriminando sexo, idade, etnia ou condição social. É a prática do jornalismo humano em estado puro.

O JUP ouviu os esclarecimentos de duas jornalistas e de um membro da SOS Racismo sobre as dimensões e dinâmica de uma prática jornalista que é ainda exceção à regra.

Ana Cristina Pereira, jornalista do Público e co-autora do livro “Todas as Vozes”, acredita que “as redações tendem a não espelhar a diversidade da sociedade”. A estrutura e a composição das mesmas dita este fenómeno: “Por norma, quem trabalha nas redações faz parte de uma elite que conseguiu frequentar o ensino superior e aguentar estágios não-remunerados. Olhando em volta, quem está dentro delas bem pode perguntar: onde estão os cidadãos de etnia cigana, de origem africana ou asiática, com alguma deficiência ou assumidamente muçulmanos?”

A falta de contacto com os grupos mais vulneráveis é a principal razão que a jornalista aponta para o “distanciamento” que vê nos meios de comunicação. Apesar da inconsciência que acredita existir, Ana Cristina destaca o dever dos jornalistas “se informarem e domarem os seus próprios preconceitos.”

Mas até que ponto é que a atividade jornalística é responsável pela formação destes mesmo preconceitos na sociedade? Ana Cristina considera que a forma com que meios de comunicação abordam um assunto pode criar imagens negativas sobre uma dada realidade, também condicionada pelas experiências de cada um.

Destaca o caso das últimas eleições europeias, onde “os extremistas rugiram contra a «diferença»” e os partidos nacionalistas cresceram com uma massa de apoiantes nova e revoltada. “Nós, jornalistas, temos de refletir sobre o papel que, com ou sem querer, desempenhámos nisso tudo”, afirma a jornalista do Público.

Nuno Silva, jurista e membro da SOS Racismo, vê que o jornalismo, “como qualquer forma de comunicação e importante instrumento democrático”, pode ser uma “arma” de contrapoder face à emergência de associações extremistas, xenófobas e racistas na Europa. “Acredito que uma sociedade bem informada, porque mais esclarecida, estará igualmente mais protegida da linguagem de propaganda, discriminatória, violenta, típica deste tipo de associações.”

Nuno considera “importantíssimo” que o jornalismo construa uma plataforma que dê voz a “esses muitos «outros» que normalmente estão afastados do espaço mediático ou que apenas o ocupam para ilustrar campos marginais e de violência”. Destaca o caso das comunidades ciganas, uma vez “que a sua presença nos media só se faz sentir quando associada a fenómenos marginais ou como motivo de chacota pseudo-humorista”, afirma.

Ana Cristina e Nuno partilham a ideia de que a referência à nacionalidade, cor de pele ou pertença a grupos minoritários nos meios de comunicação é irrelevante no contexto da notícia. “Quando, para se relatar a ocorrência de um crime, se refere que o presumível agressor é “romeno” ou “português, de origem africana”, não se está a enriquecer a informação transmitida, mas sim a incentivar a construção de estereótipos”, defende Nuno Silva.

O membro da SOS Racismo acredita que o jornalismo interativo e, sobretudo, a multiplicação de redes sociais tornam mais fácil e representativa a participação de cidadãos e cidadãs. Nuno Silva revela, no entanto, a preocupação de que estas formas de comunicação sejam “muito insipientes e pouco significativas”, no que diz respeito à presença de minorias na discussão e a sua participação pública.

Para o jurista a “concentração da propriedade dos meios de comunicação e precariedade laboral” são os dois principais entraves à “liberdade e independência do trabalho jornalístico”.

Para Vanessa Ribeiro Rodrigues, jornalista independente e escritora, o “jornalismo de inclusão devia estar no ADN de todos os jornalistas”. No entanto, a jornalista acredita que “nem todos os jornalistas têm essa preocupação”. Culpa da falta de tempo, “da celeridade com que fluem os acontecimentos”, da redução de pessoal nas redações. Culpa do “pouco espaço que existe para pensar de que forma os jornalistas são mediadores das realidades e analisar que tipo de jornalismo fazemos”.

Vanessa considera que a exclusão nos meios de comunicação é reflexo desta “geração de órgão de informação”, onde os “muitos ou poucos cliques online e as partilhas nas redes sociais” são a principal preocupação. O compromisso com o relato inclusivo devia ser permanente, não apenas quando surgem as “reportagens especiais”, defende.

Como jornalista independente, o seu trabalho tem sido “tentar desconstruir estereótipos e preconceitos sobre o «Outro», sempre em prol de uma “mudança social”. Vanessa quer que as notícias “tenham um impacto direto, que façam as pessoas pensarem e refletirem sobre questões que desconhecem ou sobre estereótipos”. Foi para isso que trabalhou no Brasil e na Palestina. Foi para isso que dedicou mais tempo, mais investigação e mais reflexão.

Olhando para o jornalismo inclusivo português no panorama europeu, Vanessa acredita que “temos um longo caminho para galgar”. Destaca projetos independentes nacionais como a Revista CAIS e da IM Magazine, contudo “estes são uma ínfima parte do que poderia ser”, adverte. “Na sua raiz o jornalismo deveria ser de inclusão, se surge esta necessidade de criarmos alternativas de jornalismo mais inclusivo, e se estamos a ter esta discussão, é porque os media não estão a cumprir o seu papel”, conclui.

Para além de jornalista, escritora e documentarista, Vanessa Ribeiro Rodrigues é também professora no curso de Jornalismo na Universidade Lusófona do Porto. Como docente, acredita que a formação sensibilizada para a inclusão é a base de qualquer profissional. Segundo a jornalista, em jornalismo estas considerações são uma “obrigação e uma responsabilidade”.

Apresentação do livro “Todas as Vozes” por José Queirós

Disponibilizamos aqui o texto que serviu de suporte para a intervenção do jornalista José Queirós na apresentação do livro “Todas as Vozes – A diversidade e os media” de Ana Cristina Pereira, Mike Jempson e fotografia de Paulo Pimenta.

O SOS Racismo agradece-lhe a disponibilização do texto, que muito contribui para a reflexão sobre o papel da comunicação social na sociedade e o seu impacto na construção de opinião pública esclarecida.

As sete prioridades de Portugal no Conselho de Direitos Humanos da ONU

Portugal vai iniciar esta quinta-feira o seu mandato de três anos no Conselho dos Direitos Humanos da ONU, um órgão que visa reforçar a promoção e a proteção dos direitos humanos no mundo inteiro. Uma das prioridades que o país diz querer defender dentro deste conselho constituído por 47 países dos vários continentes é a abolição da pena de morte a nível global, uma medida de difícil implementação já que a China, Arábia Saudita e EUA, que também pertencem a este órgão, a aplicam nos seus territórios. É a primeira vez que o país vai desempenhar este papel depois de dois anos com assento no Conselho de Segurança desta organização internacional (2011/2012) e após uma campanha ativa entre os restantes parceiros da ONU para a eleição para o Conselho dos Direitos Humanos. Na votação final, Portugal conseguiu reunir quase um consenso arrecadando 184 dos 193 votos possíveis na Assembleia-geral da ONU de outubro deste ano – a divisão de assentos neste órgão faz-se por continente e a Holanda também vai entrar em 2015 como membro do grupo de países da Europa Ocidental. Agora, já membro em pleno deste conselho, o Ministério dos Negócios Estrangeiros anunciou os temas pelos quais o país se vai bater nos próximos três anos: 1. Vai dedicar especial atenção às violações e aos abusos de direitos humanos cometidos em situações de conflito; 2. Vai elaborar resoluções sobre o direito à educação e sobre direitos económicos, sociais e culturais; 3. Vai elaborar resoluções que visem a eliminação da violência contra as mulhereXs; 4. Vai defender a abolição universal da pena de morte; 5. Trabalhar em “estreita cooperação” com António Guterres, Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos; 6. Respeito dos princípios da Constituição da República Portuguesa; 7. Vai privilegiar o diálogo e a procura de consensos entre Estados, em coerência com a sua vocação universalista de abertura a todos os povos. Para além disto, o Governo quer que esta eleição sirva também, “no plano interno”, para sensibilizar o país e para criar maior “mobilização para as questões de direitos humanos”, prometendo ainda promover a “abertura” e o “diálogo com a sociedade civil” através da Comissão Nacional de Direitos Humanos. Neste momento, entre os membros do Conselho dos Direitos Humanos, estão alguns países que não se coadunam com os princípios que Portugal quer defender neste órgão, nomeadamente a China e a Arábia Saudita que aplicam a pena de morte – na China, para além de crimes como homicídio serem punidos desta forma, também os traficantes de droga são condenados à morte, enquanto na Arábia Saudita a lei aplicada é a sharia, ou lei islâmica, e o tipo de pena de morte é a decapitação. Em 2013, foram executadas na Arábia Saudita 76 pessoas, muitos delas cidadãos estrangeiros, segundo a Amnistia Internacional. Também os Estados Unidos, que ainda usam este tipo de punição em vários Estados, têm assento neste Conselho. Atualmente o Conselho dos Direitos Humanos da ONU tem a decorrer comissões de inquérito e de investigação sobre os direitos humanos na Eritreia, na Coreia do Norte, na Síria, em Gaza e no Sri Lanka. Este conselho trabalha em estreita colaboração com o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, neste caso, o português António Guterres.