Formação SOS Racismo – Tocha 2014

5 a 8 de Dezembro – Tocha 2014 – Programa de Formação

À semelhança dos anos anteriores, vem o SOS Racismo convidar-vos a participar na Formação Anual do SOS Racismo que se realiza uma vez mais na Tocha. (Cantanhede/Figueira da Foz).

Depois de, no ano passado termos revisitado dos temas mais polémicos (Imigração e as fronteiras abertas, a Estratégia Nacional para a Integração (?) da Com. Cigana ou o Direito de Votar e ser eleit@, etc.), agora vamos continuar na mesma linha.

No âmbito das suas atividades, o SOS Racismo organiza todos os anos uma Escola de Formação Anual sobre as temáticas relacionadas com o racismo, a discriminação, a diversidade cultural, os direitos humanos e matérias conexas. Este ano, a Escola de Formação Anual terá lugar entre 05 e 08 de Dezembro na Tocha, no Concelho de Figueira da Foz.

Para além da necessidade de contribuir para uma maior qualificação do debate em torno do racismo em Portugal, a Escola de Formação Anual serve também para a autoformação dos e das nossos/as activistas.   Assim, optamos quase sempre por um modelo misto entre a discussão temática na base das experiências militantes e discussão teórica aprofundada.

Pretendemos imprimir uma forma seminal a alguns dos temas centrais, tanto do ponto de vista teórico como do ponto de vista político.

Este ano, na base de um eixo triangular (racismo institucional, estudos culturais e racismo e colonialismo) queremos abordar o legado de Stuart Hall, o colonialismo português e a necessidade de desconstruir mitos e romper com consensos em torno da sua hipotética e mais que artificial superioridade moral em relação às outras dominações coloniais, discutir o racismo e a cultura, nomeadamente o lugar da linguagem na categorização e classificação racista da humanidade, debruçarmos sobre a legitimação da banalização do mal pela sobrevivência do apartheid na ocupação colonial da Palestina à luz dos legados de Hannah Arendt e Rosa Luxemburgo, esmiuçar a ciganofobia institucional e analisar a reconfiguração política da Europa à partir dos recentes crescimento e fortalecimento dos neofascismos e da extrema-direita na europa.

Coincidentemente, para a edição da agenda de 2015, por várias razões,  decidimos focar a temática da relação do racismo com a cultura. Nesse âmbito, procuramos não apenas analisar a cultura do racismo, mas também e sobretudo, como o racismo cultural se socorre de outros instrumentos teóricos e políticos para ganhar legitimidade sociológica.

A subida da extrema–direita, a ciganfobia e a negrofobia assumidas, a sanha anti imigrante das politicas europeias, sugerem implícita e explicitamente o enfoque na condição contemporânea da figura do indígena como elemento subjacente no racismo institucional que, institucional e politicamente, não reconhece às minorias a condição nem a possibilidade da categoria de sujeito político! E cremos, interessante seria também encontrar a possível continuidade histórica que disso resulta e articula-la com a visão contemporânea do racismo. Daí, por um lado, a necessidade de revisitar Hall, Arendt, Rosa Luxembugo e, por outro, a urgência de, face ao consenso histórico, dissecar o carácter estruturalmente violento e racista do colonialismo português que o luso-tropicalismo sempre escondeu.

Para qualquer esclarecimento adicional podem contatar por email para o núcleo de Lisboa ou para o núcleo do Porto