COMUNICADO: Referendo na Suíça dá vitória à intolerância religiosa

REFERENDO NA SUÍÇA DÁ VITÓRIA À INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Contra todas as sondagens, a Suíça votou em referendo a favor da proibição da construção de minaretes nas mesquitas islâmicas. Foram cerca de um milhão e meio de pessoas que votaram na proposta da extrema-direita daquele país.

Início do século das liberdades e a Europa está a ser varrida por uma onda de intolerância protegida pela institucionalidade onde a extrema-direita se refugiou.
Desde a Itália à nova lei de imigração em Espanha, o delito de ser diferente está a ser como nunca, ou como noutras épocas, cada vez maior.

O SOS RACISMO vem juntar-se, por isso, ao coro de protestos que necessitam ser ouvidos na Europa e no mundo, desde os líderes religiosos de todas as correntes, à Amnistia Internacional, passando por todas as pessoas que têm a coragem de levantar a sua voz contra esta maré de injustiças contra os seres humanos que se expressam culturalmente.

Apelamos também a que muitos sectores da sociedade se façam ouvir e apoiem a iniciativa junto ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos que visa contestar a proibição por esta não se rever nos textos e princípios da União Europeia. Lamentamos também que a maioria dos seus dirigentes se tenha esquecido desses mesmos, pelo menos a julgar pelos silêncios às perseguições de seres humanos em Itália…

PELA LIBERDADE RELIGIOSA, CULTURAL, DE EXISTÊNCIA!!! NÃO PERMITAMOS QUE NOVAS INTOLERÂNCIAS NOS ARRASTEM PARA A LONGA NOITE QUE O FASCISMO NOS ARRASTOU.

Pelo SOS RACISMO
Ricardo Gomes

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Diário Digital

Xenofobia desaloja, 3,5 mil estrangeiros na África do Sul. Cerca de 3,5 mil imigrantes, na maioria zimbabuanos, abandonaram as suas casas e refugiaram-se em instalações desportivas e municipais na vila sul-africana De Doorns, no Cabo Ocidental, depois de terem sido atacados pela população local.De acordo com a polícia, a situação desta manhã era calma, embora as autoridades considerem preocupante o número de imigrantes refugiados no campo de futebol da vila e num armazém municipal. Os estrangeiros começaram a abandonar as suas modestas habitações em bairros ilegais, após alguns deles terem sido atacados durante o fim-de-semana por grupos de sul-africanos que os acusaram de lhes «roubarem os empregos nas explorações agrícolas da região».

Escola em programa internacional de luta contra a xenofobia. A Escola EB 2/3 de Milheirós de Poiares, no concelho de Santa Maria da Feira, está a desenvolver com escolas da Bulgária, Polónia, Roménia e Turquia um projecto que, no âmbito do Programa Comenius, é o único no país centrado na luta contra a xenofobia.

Jacques Chirac surpreendido a fazer comentário racista. O ex-presidente francês Jacques Chirac foi surpreendido pelas câmaras de televisão a fazer um comentário ambíguo, de cunho racista, depois de um jovem negro ter pedido para tirar uma fotografia ao seu lado. Os meios de comunicação franceses reproduziram o diálogo e as imagens, que foram exibidas inicialmente na noite de segunda-feira pelo Canal+.

França/Identidade nacional: Socialistas criticam Sarkozy. Os socialistas franceses criticaram domingo a forma como o presidente, Nicolas Sarkozy, lançou o debate sobre a identidade nacional, classificando-a como uma manobra eleitoralista e contra as exigências de regularização dos imigrantes ilegais.

SEF desmantela rede de exploração sexual de mulhereXs. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) deteve oito pessoas no Alentejo numa operação destinada a desmantelar uma alegada organização criminosa que se dedicava à exploração sexual de mulhereXs, a maioria estrangeiras e em situação irregular no país.

Paris inaugura controlo em aeroportos por impressão digital. Um dos terminais do aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, inaugurou hoje um inovador dispositivo que permite que os passageiros evitem o habitual controlo dos agentes, efectuando-o numa máquina de leitura do passaporte e da impressão digital.

Polémico apresentador Lou Dobbs deixa a CNN. O polémico apresentador de notícias Lou Dobbs – fortemente criticado pelos seus ataques contra a imigração ilegal – abandonou abruptamente o canal CNN na quarta-feira, quando, durante o seu programa, anunciou que este seria o último.
Madrid: Detidos 28 membros de um partido de extrema-direita. A polícia espanhola anunciou ter detido sábado 28 membros de um partido de extrema-direita, que tentavam perturbar a reunião em Madrid de um grupo concorrente, na qual participava o líder do partido de extrema-direita britânica BNP, Nick Griffin.

Nova Vega lança colecção Sefarad esta terça-feira. A Nova Vega vai lançar esta terça-feira, dia 17 de Novembro, na FNAC do Chiado (pelas 16h00), a colecçãoSefarad, dedicada aos estudos judaicos.

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Correio da Manhã

Reforçar combate ao tráfico humano: Rui Pereira, ministro da Administração Interna, revela ao CM a estratégia de Portugal no ‘Diálogo 5+5’, que luta contra o terrorismo, tráfico de pessoas e imigração ilegal.

Detidos por lenocínio e tráfico de pessoas. A Polícia Judiciária (PJ) de Leiria deteve três mulhereXs estrangeiras em situação ilegal e ainda um homem, de 50 anos, pela presumível autoria dos crimes de lenocínio e de tráfico de pessoas.

Sete detidos em megaoperação da GNR. O resultado da operação foram sete detidos, dos quais dois por posse de arma proibida, dois por condução sob o efeito do álcool, outros dois por condução sem carta e um por crime de desobediência.

SEF, operação de Viana à Ericeira. Uma megaoperação que contou com 182 inspectores do SEF, 155 agentes da PSP, 228 militares da GNR, 72 elementos da Polícia Marítima, um helicóptero Kamov e uma lancha rápida, que decorreu entre Viana do Castelo e a Ericeira, terminou com 18 estrangeiros em situação ilegal notificados para abandonar o País voluntariamente.

Martim Moniz, megaoperação. As autoridades policiais desenvolveram ontem, ao final da tarde, uma megaoperação no Martim Moniz, Lisboa, fiscalizando pessoas, viaturas e estabelecimentos comerciais. Vários agentes do SEF e da PSP estiveram no local, cujas saídas foram mesmo encerradas. Pelo menos duas pessoas, por falta de documentos, foram detidas.


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Diário de Notícias

República Checa: extrema-direita tentou estragar feriado nacional. Cerca de 300 militantes de extrema-direita tentaram hoje perturbar, em Praga, as comemorações do vigésimo aniversário da “Revolução de Veludo”, que ditou o fim do regime comunista na Checoslováquia e é actualmente um feriado nacional na República Checa.

Minaretes comparados a mísseis na Suíça. Partido Popular Suíço arranjou assinaturas suficientes e promove, no domingo, dia 29, votação para proibir os minaretes nas mesquitas. Minaretes com aspecto de mísseis invadem a bandeira suíça, com o patrocínio de uma mulher vestida com uma burqa negra. É esta a imagem de um dos cartazes usados pela extrema-direita para convencer os suíços a votarem pela proibição dos minaretes no referendo do próximo domingo, dia 29.

Extrema-direita discute a abertura a não brancos (internacional): Partido Nacionalista Britânico, reunido em conferência, vai alterar estatuto que agora só aceita “indígenas caucasianos” como militantes.

Ciganos formados com dificuldades em ter empregos: As mulhereXs de etnia cigana integradas no projecto Parque dos Nómadas, em Coimbra, que ao abrigo do programa Equal fizeram formação para arranjar emprego continuam desempregadas. Os homens estão na construção e nas florestas. As crianças continuam a estudar.

Só budismo aprova casamento homossexual: A união civil entre pessoas do mesmo sexo é contestada pelos líderes das principais confissões religiosas em Portugal. Aos católicos juntam-se muçulmanos, judeus, hindus e evangélicos que vêem na união entre homossexuais uma alteração do conceito de família. A excepção são os seguidores do budismo.

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Público


Argentina e Brasil são os principais destinos: Imigrantes africanos procuram terra prometida na América Latina. O bairro El Once, em Buenos Aires, uma das zonas mais movimentadas da cidade, onde tradicionalmente se concentrava a comunidade judaica, passou a ter uma nova designação, pelo menos para parte dos seus mais recentes habitantes. “Pequena Dacar.


Imigração: Na Europa está muito difícil. “Sei, por amigos que foram para a Europa, que agora está muito difícil por lá. Por sorte a Argentina é um país de imigrantes.” As palavras são de Alioune Ndiouje, 27 anos, um senegalês que ganha a vida como vendedor ambulante nas ruas de Buenos Aires. “Quase todos entramos pelo Brasil, porque é mais fácil conseguir um visto e viajar para São Paulo. Depois, entramos pela fronteira clandestinamente”, contou ao jornal colombiano “El Espectador”.


Muro MELILLA – MARROCOS

Melilla, cidade espanhola do norte de África, rodeada por Marrocos e aos pés do Mediterrâneo, é reconhecida pelo seu multiculturalismo e diversidade religiosa, e também, desde há alguns anos pelo seu infame muro. Esta materialização do ideal da Europa fortaleza, tem uma extensão de 12km e é constituído por uma dupla barreira: uma rede metálica na fronteira espanhola e um muro de cerca de 3 a 6 metros de altura no lado marroquino, limitado por um fosso de 3metros de profundidade e reforçado por um sistema de videovigilância, barcos de polícia costeira, barragens e postos de controlo com um alcance de 200km! E já se pondera um terceiro reforço à barreira…Mas afinal, de que se defende tão desesperadamente a Europa?

Em Setembro de 2005 a Europa e o mundo acordaram com a imagem chocante do assalto de centenas de imigrantes, na sua maioria subsarianos, ao muro. Corpos presos no arame farpado que o reveste, com os membros partidos, a sangrarem e a gritar por ajuda. A este grito a Europa respondeu…com o envio do exército espanhol e um ultimato a Marrocos! Que este reforçasse a defesa do muro, as suas fronteiras, o controlo nos campos de refugiados e aceitasse o repatriamento dos imigrantes. Marrocos pressionado, assim fez: carregou na carga policial (a ONG Médicos Sem Fronteira refere que cerca de ¼ dos casos a que dá assistência têm a sua origem em violência policial) e começou a reencaminhar os imigrantes para a fronteira com a Argélia de onde seguiriam para os seus países de origem. Não tardou…a denúncia de centenas de imigrantes abandonados no deserto, sem água, comida ou assistência médica! E os ‘assaltos’ continuam…

A Europa, e de resto, o Norte, procuram por meio de muros da vergonha, como este, proteger-se do ‘assalto’ das populações do Sul, à procura de uma vida melhor, muitas vezes mesmo só da sobrevivência. E o Norte não quer e mostra que não porá o seu ‘bem-estar’ em causa, que manterá políticas de clara exploração desses povos e, simultaneamente, a suas portas fechadas.

E assim se explicam aberrações de muros como este, numa lógica de perpetuação da assimetria Norte/Sul e com a atitude de permanente desrespeito dos direitos humanos.

Muro MARROCOS – SARA OCIDENTAL

Autoria: DR


Eles chamam-se filhos das nuvens, porque desde sempre perseguem a chuva.

Desde há mais de trinta anos perseguem, também, a justiça, que no mundo do nosso tempo parece mais esquiva que a água no deserto’
Eduardo Galeano

Do longo processo de descolonização de África há um território que permanece desde há mais de 30 anos em luta pela sua auto-determinação, o Povo Saarauí, com o seu território, o Sara Ocidental.

Limitado a norte por Marrocos, a este pela a Argélia, a sul pela Mauritânia e a oeste pelo Oceano Atlântico, manteve-se sob o jugo da Espanha colonialista até à queda de Franco. Ainda sem a independência alcançada o rei marroquinho Hasan II deu ínicio à Marcha Verde – processo de repovoação do Saara com cidadãos marroquinos para que, no caso de se realizar um referendo à independência (nunca realizado!), a balança se inclinasse a favor do ocupante. A Frente Polisário, a guerrilha saarauí, que lutou contra a colonização espanhola, encabeçou a resistência armada contra Marrocos até 1991. Frente a frente ficaram, nas areias do deserto, os guerrilheiros da Frente Polisário e as forças marroquinas de Hassan II. O exército marroquino retirou-se para uma zona restrita do deserto, mais próxima da sua fronteira e constituiu o chamado “triângulo de segurança”, que compreende as duas únicas cidades costeiras e a zona dos fosfatos. A limitá-lo, ergueu um imenso muro há mais de 20 anos, com uma longitude de cerca de 2790km (cerca de 60x a extensão do muro de Berlim), com um radar previsto de 15 km e postos de vigilância a cada 5 km. Não fosse o bastante, minou-o ao longo sua extensão.

A muralha não serve só para separar o Sara Ocidental de Marrocos, mas essencialmente para separar o terço mais árido do território saaurí do resto, abundante em recursos pesqueiros, energéticos e minérios, como o fosfato. E de resto, a história parece repetir-se, como em tantos outros momentos e noutros pontos do globo, numa lógica de segregação, e neste caso, de securatismo e pela defesa dos interesses de dominação de uma nação ou comunidade mais rica, e indiscutivelmente mais poderosa, Marrocos.

A isto, grande parte do mundo assiste sereno, uns por claros interesses directos, como Espanha e França, outros numa inércia vergonhosa. Com a quase totalidade dos países africanos e da América latina a reconhecerem a legitimidade da autodeterminação do povo Saarauí, a Europa resiste a fazê-lo, num claro desrespeito das resoluções da Nações Unidas, e mais, do povo Saarauí.

A população, essa na sua maioria permanece em campos de refugiados, no sul da Argélia, “estão no mais deserto dos desertos. É um vastíssimo nada, rodeado de nada, onde só crescem as pedras. E no entanto, nessas aridezes, e nas zonas libertadas, que não são muito melhores, os sarauís foram capazes de criar a sociedade mais aberta, e a menos machista, de todo o mundo muçulmano”. (Eduardo Galeano)

Memórias de Muros

Autoria: DR

Em mês de aniversário da queda do muro de Berlim, o SOS relembra outros pilares de betão que a fértil estupidez humana insiste em erguer, dividindo culturas, credos, mundivisões – dividindo pessoas.

Não podemos deixar de assinalar a leviandade com que vários actores políticos, nas celebrações mediáticas da queda do muro, se referiram à necessidade de deixar cair outras barreiras, visíveis e invisíveis, que ainda persistem e pululam pelo globo, como se a responsabilidade por tais factos lhes fosse completamente alheia…

Infelizmente, o fim de regimes abertamente racistas (a América das Leis de Jim Crow e os regimes do III Reich e do Apartheid Sul-Africano) não afastou definitivamente o espectro do Racismo Institucional. Ele persiste, resiste e multiplica-se – mas a imponência do ditado da “água mole” faz-nos acreditar que a mudança é possível… se ainda formos a tempo.

Assim, iniciamos aqui no blog uma série de textos sobre vários exemplos de barreiras segregacionistas que ainda perduram em pleno Séc. XXI, esperando também pelo contributo dos nossos leitores para a discussão, denúncia e divulgação.